Modernismo

ModernismoQuebrando paradigmas e implantando novas idéias

Determinados a romper com velhos conceitos, artistas de várias especialidades reúnem-se para mostrar ao país um novo conceito de arte promovendo a Semana de Arte Moderna, em São Paulo.

 Como tudo que é novo mexe com conceitos e, portanto assusta, não foi fácil para esses artistas se posicionarem diante da realidade política e social da época, mas a trajetória é fascinante e mostra a necessidade de sempre estarmos abertos para mudanças.

 Cenário

 Nas primeiras décadas do século XX São Paulo era o grande centro econômico e cultural do país. O crescimento industrial, a combinação do capital proveniente das lavouras cafeeiras com o capital industrial, o intenso processo de imigração e consequente formação do centro urbano, cria uma sociedade com elites dominantes.

Entre essa elite era bastante comum permitir que os filhos estudassem no exterior e quando retornam traziam consigo novas ideias e conceitos contribuindo para o desenvolvimento de diversas áreas. Com a arte não foi diferente: artistas vindos de outras partes do mundo começam a influenciar a cultura brasileira com novas ideias e perspectivas, até que surge o Movimento Modernista Brasileiro que tem seu ápice com a Semana de Arte Moderna ou Semana de 22, como também pode ser chamada em função de ter ocorrido no ano de 1922.

Histórico

Na primeira fase do Modernismo há a influência do Futurismo europeu trazido por Oswald de Andrade em 1912.

Em 1913, o russo Lasar Segall realizou em São Paulo as primeiras exposições de arte não acadêmicas do país, tida como a primeira mostra de arte moderna.

No ano seguinte, Anita Malfatti, que acabara de chegar da Alemanha, expôs quadros Expressionistas.

 Em 1917, Menotti del Picchia, Manuel Bandeira e Murilo Araújo, são os precursores da transformação na literatura brasileira, com a publicação do poema “Juca Mulato” e os livros Cinzas das Horas e Carrilhões, respectivamente.

Também neste ano, Anita Malfatti, que havia voltado de outra viagem, realizou sua segunda exibição no Brasil, dessa vez de quadros Cubistas. Esta exposição foi criticada pelo então crítico literário Monteiro Lobato. Com grande influência na sociedade paulistana, Lobato atacou violentamente a obra e estilo da pintora, mas esse fato, apesar de ter prejudicado muito a carreira de Anita, serviu principalmente para unir o grupo de jovens artistas e levar adiante o propósito modernista.

 Em 1919, é Victor Brecheret quem empolgava a intelectualidade jovem de São Paulo por ser um talentoso escultor que trazia as influências européias, sem deixar de lado seu traço nacionalista modernista.

 A partir de 1920 encontros e reuniões culturais fazem o movimento criar corpo até que a Semana de Arte concretiza-se nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no teatro Municipal de São Paulo.

 Veja a programação do evento  clicando aqui. Ah! Não se assuste com a forma da escrita, pois este era o português usado na época.

 Logo após o término da Semana de Arte Moderna é lançada a revista “Klaxon”, que divulga as produções da nova escola. É sem dúvida uma importante publicação da época que ajudou os jovens artistas conseguirem espaço e estímulo para, ainda em 1922, dar continuidade ao seu trabalho.

Todo o tumulto e inovações propostas na semana de 22 não foram em vão, afinal abriu-se novos espaços para a publicação de livros, revistas e manifestos que divulgaram as propostas e realizações modernistas, contribuindo assim para abrir o debate e a difusão das novas idéias em âmbito nacional. Para ver o anuncio que divulgou novas publicações da época  clique aqui. Conheça um pouco dos principais integrantes da Semana de Arte Moderna:

 Mário de Andrade: poeta, romancista, crítico de arte e musicólogo da época do movimento modernista no Brasil. Causou grande impacto na renovação literária e artística do país, participando ativamente da Semana de Arte Moderna de 22, além de se envolver, entre 1934 e 37 com a cultura nacional trabalhando como diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo.

 Oswald de Andrade: escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro. Foi um dos principais organizadores da Semana de Arte Moderna, tornando-se um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro. Foi considerado pela crítica como o elemento mais rebelde do grupo, sendo também o mais inovador entre estes.

  Víctor Brecheret: um dos mais importantes escultores do país é responsável pela introdução do modernismo na escultura brasileira.

  Anita Malfatti  : pintora, desenhista e professora brasileira. Viajava com frequência à Europa e incorporava elementos da arte europeía a seu estilo. Teve grande influência no modernismo no Brasil. Clique aqui para ver algumas obras

Heitor Villa-Lobos: foi maestro e compositor brasileiro. Destacou-se por ter desenvolvido uma linguagem peculiarmente brasileira em sua música, sendo considerado o maior expoente da música do modernismo no Brasil. Suas obras acentuam o espírito nacionalista onde incorpora elementos das canções folclóricas, populares e indígenas.

Tarsila do Amaral : pintora e desenhista brasileira, uma das figuras centrais da primeira fase do movimento modernista brasileiro, ao lado de Anita Malfatti. Seu quadro Abaporu, de 1928, inaugura o movimento antropofágico nas artes plásticas.  Clique aqui para ver algumas obras

  Di Cavalcant i : pintor, desenhista, ilustrador e caricaturista. Tem grande influência no modernismo brasileiro.  Clique aqui para ver algumas obras

Curiosidade

O “Manifesto Antropófago”, de 1928, é a resposta do escritor Oswald de Andrade às questões postas pela Semana de Arte Moderna (1922). Para ele, a renovação da arte brasileira nasceria da retomada dos valores indígenas. Oswald retoma essa temática, mas rejeita a xenofobia de outros modernistas. A civilização européia não deveria ser rejeitada, mas sim absorvida e superada. A antropofagia é o símbolo dessa tese: o europeu deve ser devorado.
(fonte: http://almanaque.folha.uol.com.br/semana18.htm)