Marchinhas de Carnaval

Marchinhas de Carnaval

Muito antes do samba enredo ganhar espaço no carnaval brasileiro, quem tomava conta das ruas e dos salões eram as marchinhas de carnaval.

As marchinhas representam um tipo de música carnavalesca muito alegre e com um refrão marcante, difícil de esquecer.

O conteúdo da música pode ser político, sobre algum fato importante da época ou simplesmente baseado na criatividade do autor, mas sempre são divertidas.

Apesar de ser popular por aproximadamente 20 anos (1920 - 1960), a época de ouro das marchinhas foi entre 1930 e 1945, sendo que muitos cantores e compositores tiveram destaque nessa época. Entre eles temos: Carmen Miranda, Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Jorge Veiga e Black-Out.

Eles entoavam as composições de João de Barro, o Braguinha, Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo.

As marchinhas reinaram praticamente sem concorrências desde o final do Sec. XIX, quando começa a entrar em cena o samba enredo, mas até hoje, em várias cidades do Brasil, os blocos de rua cantam com frequência as tradicionais marchinhas de Carnaval.

A origem desse estilo de música carnavalesca está nas marchas portuguesas, muito populares até a década de 20, mas seu ritmo foi sendo modificado à medida que começam a usar outros tipos de instrumentos, como o saxofone e trompete.

Vamos conhecer a história e a letra de algumas das mais famosas:

CABELEIRA DO ZEZÉ

Olha a cabeleira do Zezé!
Será que ele é? Será que ele é?
Será que ele é bossa nova?
Será que ele é Maomé?
Parece que é transviado mas isso eu não sei se ele é

É de 1964, composta por Roberto Faissal e João Roberto Kelly. Na época, eles trabalhavam na TV Excelsior do Rio de Janeiro e, durante os intervalos das gravações, frequentavam o bar São Jorge, em Copacabana. Um dos garçons – o José – tinha um cabelo grande, o que não era muito comum para época. Para fazer troça com o garçom, a dupla começou a compor a música “Cabeleira do Zezé”, que se tornou um grande sucesso dos bailes de carnaval.

 JARDINEIRA

Oh! Jardineira por que estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a Camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Composta por, Benedito Lacerda e Humberto Porto, em 1938. Ficou famosa nos carnavais depois que apareceu na comédia musical “Banana da Terra” (1939), que tinha no elenco Carmen Miranda, Oscarito e Emilinha Borba.

CIDADE MARAVILHOSA

Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil

Composta em 1935, foi uma das mais famosas do carnaval carioca. Composta por André Filho, a marchinha não só fala sobre o Rio de Janeiro, como seus primeiros acordes são do hino da cidade.

MAMÃE EU QUERO

Mamãe, eu quero, mamãe, eu quero
Mamãe, eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar

Composta em 1937 por José Luís Rodrigues Calazans (Jararaca) e Vicente Paiva, apesar de ser antiga também é uma das marchinhas mais tocadas no carnaval.

Curiosidade

Foi Chiquinha Gonzaga, pianista e regente, quem compôs a primeira música reconhecida como sendo uma marchinha carnavalesca, em 1889.

 

Antiga, não? Mas serviu para fixar a ideia desse gênero musical que ainda era praticamente desconhecido O nome era “Abre Alas” e foi feita para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro.