Rebeliões Regenciais

Rebeliões Regenciais

Todas as formas de governo que não levam em consideração as necessidades do povo e não promovem melhorias tendem a sofrer com revoltas e rebeliões, pondo o seu poder em prova. Foi justamente isso que ocorreu no Brasil, na época de transição da Monarquia para a República.

Tudo começou em 1831. Como Dom Pedro I foi obrigado a abdicar do trono, deixando seu filho, D. Pedro II, em seu lugar, inicia-se um período de grandes modificações políticas. Na ocasião, D. Pedro II tinha apenas 5 anos de idade e, sendo menor, ficou sob a tutela de José Bonifácio. Em 1940, já com 14 anos, D. Pedro II é considerado como maior de idade e este fato causou grande disputa política e inquietação social, dando início a uma das fases mais conturbadas da história de nosso país.

Neste cenário, inicia-se uma série de motins de militares e levantes de civis. As primeiras rebeliões tiveram pouca força e foram facilmente reprimidas pelas forças militares da época, mas algumas delas foram bem organizadas e acabaram por modificar os rumos da nação, merecendo, portanto, ser citadas.

A primeira delas foi a Cabanagem , ocorreu em Belém – PA, entre 1835 e 1840. Foi um movimento político e social organizado por homens livres e pobres, índios e mestiços, que se rebelaram contra a elite política da época e tomaram o poder. A situação de extrema pobreza da população ribeirinha e a pouca importância dada à província, após a independência do Brasil, foram os eventos que desencadearam a revolta liderada pelo Padre João Batista Gonçalves Campos.

Em 1835, também tem início, no Rio Grande do Sul, a Revolução Farroupilha , que se estende até 1845. O motivo do levante teve relação com os altos impostos pagos ao governo pelos agricultores da época e foi liderado por Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi. Na época, a província tinha uma participação significativa na produção de alimentos e a elite gaúcha sentiu-se forte para organizar a rebelião. Após 10 anos de batalhas e de alternância de poder, as forças imperiais lideradas por Duque de Caxias acabam com o movimento e em conjunto com as forças farroupilhas assinam a “Paz de Ponche Verde”, dando fim aos conflitos.

Nas terras do Maranhão, entre 1838 e 1840, tem início a Balaiada , cujo nome tem relação com seu líder, Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, o “Balaio”, que fazia cestos chamados de balaios naquela região. Este movimento se distingue dos demais por ter sido um movimento popular contra os grandes proprietários agrários da região, sendo que a principal causa da revolta foi a condição de miséria e opressão a que estava submetida a população pobre da região.

Para fechar esse quadro, na Bahia ocorre a Sabinada , entre 1837 e 1838. Os principais grupos dessa rebelião eram os militares e profissionais liberais da época que estavam insatisfeitos com as nomeações feitas para cargos públicos na Bahia e culminou com o decreto regencial que obrigava o recrutamento militar para juntar soldados e combater na Guerra Farroupilha que ocorria no Sul. O nome da rebelião também foi motivado por seu líder, o jornalista e médico Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira.

 

Curiosidades

O nome Cabanagem é devido ao fato dos revoltosos morarem em pequenas cabanas, à beira dos rios, no Pará. Eles chegaram ao poder três vezes. Na primeira vez, em janeiro de 1835, os cabanos derrubaram o governo de Belém, instalando um governo revolucionário. Foram combatidos por mercenários contratados por políticos legalistas. Num novo ataque, em agosto do mesmo ano, os revoltosos roubaram comerciantes e distribuíram alimentos aos pobres. Em abril de 1836, a armada do mercenário inglês John Taylor, contratado pelo governo para acabar com a insurreição, atacou e ocupou Belém. Os cabanos fugiram para o interior e ainda resistiram durante quatro anos. O saldo foi de 30 mil mortos, quase 1/3 da população masculina da província.

(fonte: Guia dos Curiosos)