Samba

Samba

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro
Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros
Salve o samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo de um país
Salve o samba, queremos samba.
( A Voz do Morro - Zé Kétti )

Muitos que lerem esse especial talvez nunca tenham ouvido nem falar dessa música, mas prestem atenção na letra… Ela expressa muito bem o valor que o brasileiro dá a um ritmo que é bem nosso: o Samba!

Além disso, todos sabem que, em qualquer lugar do mundo, falou de samba falou de Brasil , por isso, dia 2 de dezembro foi instituído o Dia Nacional do Samba.

Um pouco da história

O samba surgiu a partir da mistura de uma série de ritmos musicais provenientes da África. Quanto á origem do nome, ainda não há consenso entre os pesquisadores, mas o que se sabe até agora é que tem relação com “semba”, termo ligado às danças típicas tribais do continente. Aqui por nossas terras, o primeiro registro do uso da palavra samba data de 1842.

O ritmo chega na época do Brasil Colônia, com a chegada da mão de obra escrava. O primeiro samba gravado no Brasil foi “Pelo Telefone”, composto pelos baianos Mauro de Almeida e Donga em 1917. Este samba marca a história dos ritmos carnavalescos. Nessa época ainda imperavam as marcinhas de salão, mas logo depois o ritmo ganha as ruas e se diferencia nas diversas representações do carnaval do país. Neste período, os principais sambistas são: Sinhô Ismael Silva e Heitor dos Prazeres .

Com a difusão do rádio, na década de 30, o samba chega até os lares e os principais sambistas da época eram: Noel Rosa, com o samba “Conversa de Botequim”; Cartola, autor de “As Rosas Não Falam”; Dorival Caymmi com o famoso samba “O Que É Que a Baiana Tem?”; Ary Barroso com “Aquarela do Brasil” e Adoniran Barbosa com o inesquecível “Trem das Onze”.

Entre as décadas de 70 e 80, tem início uma nova geração de sambistas, com estilos diferenciados, mas todos fizeram muito sucesso e podemos destacar: Paulinho da Viola, Jorge Aragão, João Nogueira, Beth Carvalho, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Chico Buarque, João Bosco e Aldir Blanc.

Não podemos deixar de referenciar personagens sambistas que fizeram história: Pixinguinha, Ataulfo Alves, Carmen Miranda (sucesso no Brasil e nos EUA), Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho, Lupicínio Rodrigues, Aracy de Almeida, Demônios da Garoa, Isaura Garcia, Candeia, Elis Regina, Nelson Sargento, Clara Nunes, Wilson Moreira, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Lamartine Babo.

Principais estilos de samba

Samba-enredo: tem início na década de 30 e tem esse nome porque a letra do samba tem relação com a temática escolhida pela escola de samba para o desfile. Esses temas geralmente estão ligados a questões socioculturais e define a coreografia e cenografia utilizada pela escola de samba no desfile.

Samba de partido alto: tem letras improvisadas e tentam representar a realidade da população mais carente. Os compositores mais conhecidos desse estilo de samba são: Moreira da Silva, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho.

Pagode: é característico da cidade do Rio de Janeiro. Surge na década de 70 e logo ganhou as noites cariocas. Seu ritmo é repetitivo e utiliza instrumentos de percussão e sons eletrônicos. Espalhou-se rapidamente pelo Brasil, graças às letras simples e românticas. Os principais grupos são : Fundo de Quintal, Negritude Jr., Só Pra Contrariar, Raça Negra, Katinguelê, Patrulha do Samba, Pique Novo, Travessos, Art Popular.

Samba-canção: surge na década de 1920, com ritmos lentos e letras sentimentais e românticas.

Samba carnavalesco: são as marchinhas e sambas feitos para dançar e cantar nos bailes carnavalescos. Os mais conhecidos são: Abre alas, Apaga a vela, Aurora, Balancê, Cabeleira do Zezé, Bandeira Branca, Chiquita Bacana, Colombina, Cidade Maravilhosa entre outras.

Samba-exaltação: as letras têm como principal foco a exaltação das maravilhas do Brasil, com acompanhamento de orquestra. O principal destaque deste estilo é “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso gravada em 1939 por Francisco Alves.

Samba de breque: é um estilo descontraído em que há paradas rápidas, onde o cantor pode incluir comentários, muitos deles em tom crítico ou humorístico. Um dos mestres deste estilo é Moreira da Silva.

Samba de gafieira: criado na década de 1940 e tem como característica o acompanhamento de orquestra. Rápido e muito forte na parte instrumental, é muito usado nas danças de salão.

Sambalanço: é um estilo de samba com influência do jazz que predominou na década de 50 em boates de São Paulo e Rio de Janeiro. Seu maior representante é Jorge Ben Jor.

Curiosidades

As tradicionais gafieiras, predominantes no Rio de Janeiro na década de 20, eram espaços de danças que ganharam esse nome porque, segundo os mais entendidos, seus frequentadores dançavam de qualquer jeito, cometendo várias gafes. O ritmo é uma mistura de samba e de chorinho.
(fonte: Guia dos Curiosos)